19/12/2015 é o Dia: do Aniversário do Estado do Paraná, do Bem-Aventurado Urbano V, da Santa Teia, de São Dário, de São Paulino, Estadual da Poesia em MT.
Estou falando das facilidades com que se consegue uma carteira de habilitação em várias localidades deste pais. Facilidades existentes não somente no Brasil mas em quase todos os países da América do Sul. Principalmente aqueles que compões o Mercosul.
Nos estados do norte, nas cidades distantes da capital, a grande maioria dos condutores de automotores, não possuem CNH. Aqueles que querem estar “regularizados” basta pagar o valor que o agente pedir e demonstrar, dando umas voltas pela cidade, que sabe dirigir um automóvel ou pilotar uma motocicleta. Isso reflete diretamente nos acidentes e na violência envolvendo o trânsito e a pior parte, com a conivência do poder público.
Nos últimos 10 (dez) anos o trânsito brasileiro tem se tornado cada vez mais violento e inseguro. Preocupação constante por parte dos órgãos que regulamentam o setor.
Conforme estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA), nosso País ocupa o 4º (quarto) lugar no ranking mundial de acidentes de trânsito. Em média são 6,8 mortes para cada 10.000 (dez mil) veículos enquanto que na França a média é de 2,35 e nos Estados Unidos 1,93. Pelo estudo realizado, ao término de 12 (doze) meses somam aproximadamente 30.000 (trinta mil) mortes nas estradas brasileiras com um custo social aproximado de 10 (dez) bilhões de reais por ano (IPEA 2003).
A principal causa do número tão elevado de acidentes está o fator humano, pois sem ele o trânsito não existiria. Colocado assim, parece que o ser humano é o único responsável pela elevada estatística. Porém ele não pode ser analisado isoladamente.
O homem tem seus interesses, necessidades, personalidade e causa conflitos no trânsito porque está em constante busca da satisfação desses fatores interpretando as regras estabelecidas conforme a sua própria visão de mundo. Dentro da busca constante da necessidade de cada condutor, alguns obedecem às leis e outros as ignoram tomando atitudes para benefício próprio.
Nesse processo o veículo acaba se tornando uma espécie de arma para impor medo forçando o veículo à sua frente, buzinando, fazendo gestos obscenos, xingando, transitando em velocidade incompatível ou fazendo ultrapassagem em local proibido, tornando o trânsito extremamente agressivo. Com isso, a movimentação de todos os componentes que formam o trânsito vão se estabelecendo e acontecendo conforme a atitude e o comportamento do ser humano.
“Para Vasconcellos (1998), as condições do momento determinam o comportamento de cada indivíduo no trânsito. A cada situação dada, reações, comportamentos e atitudes diferentes se apresentam. Tudo depende de uma complexidade de fatos, ligados aos fatores de necessidades e interesses pessoais, diversificando esses comportamentos. Saber quais as causas desse comportamento agressivo se faz necessário.”
“Para Hoffmann, Cruz e Alchieri (2003), o homem ou a mulher ao volante é um ser humano que, além de uma série de aptidões, de uma personalidade, hábitos e atitudes definidos, possuem necessidades fisiológicas (alimento, sono, descanso), necessidades psicológicas e socioculturais (segurança, comodidade, auto-realização, aceitação). O equilíbrio entre estas várias instâncias e necessidades e a capacidade para supri-las, superá-las ou adaptar-se a elas permitem o funcionamento psicofísico normal do indivíduo”.
A reação do ser humano é imediata quando sente que o equilíbrio está sendo ameaçada, reação essa que pode ser de adaptação ao meio ou de luta pelo espaço conquistado podendo interagir com agressividade. Falamos constantemente em agressividade. O que seria uma atitude agressiva? Um comportamento agressivo refere-se a toda e qualquer ação que tenha como objetivo ferir o outro física ou verbalmente, resultado de sentimentos de frustrações e insucessos do indivíduo incapaz de lidar com a condição que ele se depara no momento ou que já o carrega de outras atividades mal sucedidas.
Cada ser humano tem um comportamento próprio conforme a situação, experiência de vida, escolaridade, nível socioeconômico, ideais, valores, cultura, que carrega para o trânsito mudando seu comportamento conforme suas necessidades e as condições apresentadas naquele dia específico influenciando notoriamente na sua forma de conduzir.
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