Naganuma - Advocacia e Consultoria em Trânsito e Transporte Público

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MYN - Formação musical

A música de uma maneira geral, em sua forma erudita ou não, como é de se notar, já está arraigada na família por gerações.

Lembro-me de ter visto no pequeno depósito da garagem do meu pai no apartamento da Rua Juatuba, no bairro Alto de Pinheiros na zona oeste em São Paulo onde passei toda a infância e juventude, os discos de porcelana com suas capas já bem amareladas, sinais da idade avançada dos discos trazidos por meu avô Minoru Naganuma quando de sua vinda para o Brasil no início do século passado. Eram obras do que é chamado, hoje, popularmente de música “clássica”, atribuição nominal generalista equivocada do gênero música erudita. Entretanto, rigores classificatórios à parte quero dizer que não é de hoje a paixão pela música erudita.

Recordo-me que desde pouca idade fui influenciado pela sensibilidade, escolhas, ouvido apurados e sempre críticos de meu pai Matias Tsuyoshi Naganuma, que em sua juventude possuía uma banda de rock (ele tocava guitarra, violão e baixo). Em algum lugar perdido na casa de minha mãe ainda é possível encontrarmos o violão Giannini e a guitarra Fender usadas pelo meu pai.

Cresci ouvindo música “clássica”, desde bebê tenho guardados em meu coração as obras sempre vibrantes escolhidas por meu pai, como Mozart em seu período inicial, mais propriamente dito no período clássico, influenciado ainda pelas obras barrocas que o antecederam, ainda, muito Vivaldi, muitas peças de Bach como as famosas missas de Bach, algumas coisas ainda como as sonatas e concertos de Beethoven e principalmente o concerto n.º02 de Rachmaninoff . Ele as colocava principalmente para me fazer dormir e na hora de acordar para ir ao colégio.

Se isso ainda não bastasse, ainda através de meu pai, tive muitas influências na MPB nas vozes ou nos arranjos de Toquinho, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Tom Jobim, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Creuza, Vania Bastos, Dalva de Oliveira, Demônios da Garoa, Leila Pinheiro, MPB4, Agepe, Alcione, Belchior, Benedito de Paula, Clara Nunes, Elis Regina, Doris Monteiro, Jane Duboc, Lindomar Castilho, Noel Rosa, Paulinho da Viola, Reginaldo Rossi, Renato e seus Blue Caps, Roberto Carlos, Tania Alves, Tim Maia, Trio Esperança, Wanderléia, Marisa Monte, Miltinho, Calos Lyra, Miucha, Nara Leão, Nana Caymmi, Nelson Gonçalves, Rita Lee, Roberto Carlos, Sandra de Sá, Baden Powel, Elvinha, entre outros.

Me recordo perfeitamente que quase todas as vezes que avistava meu pai no escritório ele escutava algo. Seja música clássica, MPB, sertanejo, música japonesa, ou mesmo músicas internacionais, rock internacional. Se minha memória ainda não está me faltando me recordo de escutar muito músicas italianas, francesas, americanas, japonesas e latinas. Alguns foram marcantes em minha vida como por exemplo Dire Straits, Aerosmith, Supertamp, Carlos Santana, Julio Iglesias, Charles Aznavour, All Hirt, Alain Barriere, Alan Jackson, as músicas do seriado Ally McBeal, Andy Willians, Annie Lennox, Aretha Franklin, Barry White, Beatles, Bee Gees, Bienvenido Granda, Burth Bacharach, Carly Simon, Carole King, Carpenters, Celine Dion, Cher, Domenico Modugno, Eagles, Edith Piaf, Frank Sinatra, Gianni Morandi, Gilbert Becaud, Gilbert o’Sullivan, Hebert Albert, Jan Wayne, Jet Blacks, Joe Cocker, Judy Garland, Lara Fabian, Mariah Carey, Los Lobos, Mirelle Mathieu, Neil Sedaka, Nico Fidenco, Ornela Vanoni, Paul Anka, Pepino di Capri, Ray Connif, Rita Pavone, Rolling Stones, Scorpions, Sergio Endrigo, Simon and Garfunkle, The Jet Blacks, Trio Esperança, Trio Los Panchos, Românticos de Cuba, Vonda Shepard, Whitney Houston, Willie Nelson e etc.

Enfim, já me estendi um bocado citando alguns compositores que marcaram a minha infância, mas não apenas de música clássica e MPB eu tinha contato, todas as férias que passava na casa da minha madrinha em Marília (interior de SP) e na fazenda de meu tio-avô materno na cidade de Pompéia (também interior de SP), sempre deitava-me no banco de traz do carro, durante os 450 km que separam a cidade de São Paulo de Marília, com minha chupeta e meu palhaço (meu “paninho”) e ficava apreciando a lua durante a viajem de carro com meu pai até adormecer ao som de muita música sertaneja. Mas, obviamente não iniciarei a citação de alguns deles porque com certeza você leitor já deve estar levemente entediando com tantas citações de compositores ou músicos que marcaram a minha vida. Mas como a música fala mais forte do que eu, não posso deixar de citar apenas alguns, como Pena Branca e Xavantinho, Mato Grosso e Mathias, Chitãozinho e Xororó, João Mineiro e Marciano, Chico Rey e Paraná, Cristian e Ralph, Milionário e José Rico, entre outros.

Voltando, nesse momento, após essa breve exposição, gostaria de narrar um pouco como foi a minha introdução ao estudo do piano “clássico”. É isso mesmo, se algum de vocês ainda não sabem, sou formado em piano clássico pelas mãos mágicas e através das sabedorias transmitidas pela minha querida e estimada professora de piano Maria Gleide Barreiros Morato (concertista e uma das discípulas de Magdalena Tagliaferro), a quem devo boa parte da minha formação pessoal, perseverança, estudo e muita dedicação no tocante às interpretações e sensibilidades que me eram exigidas e incansavelmente demonstradas ao extremo pela minha professora. Acredito que foi um amor à primeira vista. Como diz o ilustre pianista Nelson Freire, “é preciso haver amor” e era esse o sentimento que tinha pela minha mestre e pela música “clássica”. Apesar de ser um comentário muito “modesto”, acredito que ela via em mim um grande potencial, um grande talento para o piano, e assim, sempre acreditando, estimulando, energizando seus alunos, acredito que tudo que consigo transmitir através do piano hoje devo à ela.

O simples talento não faz de você um grande pianista, é preciso horas e mais horas de dedicação e aperfeiçoamento curvado no teclado para que através desse talento seja possível extrair o melhor de você, ela dizia, talvez em outras palavras.

Iniciei os meus estudos em piano no ano de 1991, aos 09 anos de idade, no Colégio Notre Dame, como uma atividade extra curricular. A música, as teclas, o piano, sempre me encantaram, seja pelas músicas gravadas em minha memória dos CDs do meu pai, ou mesmo por uma certa influência de minhas primas Karina, Simone e Érika Kashima, que além de serem um pouco mais velhas do que eu, completaram da mesma forma o curso completo de piano clássico em conservatório. Como se fosse hoje, me lembro de passar férias na casa da mãe delas, que além de minha madrinha de batismo uma das minhas tias mais estimadas (Moriko Kashima), sempre tive a oportunidade de dedilhar algumas coisas naquele instrumento.

Acredito que no mesmo ano de 1991, meus pais entusiasmados com meu interesse e dedicação ao instrumento, me presentearam com um piano de armário da Fritz Dobbert adquirido na não mais existente loja dessa marca de pianos na av. Rebouças, em São Paulo. Lembro-me que foi um dia eufórico. Fui escolher o piano, toquei em todos os instrumentos expostos na loja e finalmente encontrei aquele que mais agradava o meu ouvido. Para variar era uma série especial com detalhes e acabamentos diferenciados e obviamente custava mais caro que os demais. Ainda assim, meus pais, observando a minha dedicação e entusiasmo pelo instrumento adquiriram o piano à vista, mesmo sabendo que era mais caro. Como se fosse hoje, me lembro da vendedora uma senhora gorda de blusa branca que nos atendeu e tocou para fazer a demonstração do piano a música Le Lac de Come (uma peça até bonitinha, mas tão banalizada, que se tornava horrível, o sonho de todas as mães das garotinhas que iniciavam no piano era que elas tocassem essa música. Minha mãe não era exceção).

Os poucos dias de prazo para entrega desse piano em nosso apartamento me pareceu uma eternidade. Não dormia, e comia alucinadamente, (prática que mantenho até hoje quando estou muito ansioso). Enfim, o grande dia chegou. Acompanhei todo o trajeto da retirada do piano do caminhão para a minha casa. Queria certificar-me de que nada de mal aconteceria com ele. Afinal de contas, além de ser o meu piano tão esperado, à época ele valia mais do que o chamado carro popular comercializado naquele momento.

Piano em casa, em seu devido lugar, absolutamente limpo e afinado, pronto para tocar. Foi aí que tudo começou de verdade. Toda a fúria e toda a vontade de vencer as teclas e atingir o objetivo principal que era conseguir interpretar de maneira impecável todas as peças para piano. Quem é pianista sabe muito bem, horas e mais horas em cima do teclado te dá uma dor na nuca, e nas costas incontrolável. A tensão e a concentração são tamanhas que dores começam a surgir. Mas isso não era impedimento para que eu interrompesse os meus estudos. Devorei as partituras, me dediquei a extrair o máximo de interpretação das peças executadas.

Os anos se passaram, a evolução nos teclados do piano eram nítidos. Conheci através do piano, dos ensaios, das apresentações e parceria em obras à 4 e até 6 mãos, pessoas fantásticas que guardarei em dentro de mim por toda vida, como por exemplo a pianista, hoje Promotora de Justiça do Estado de São Paulo Denise, a hoje economista e minha principal amiga e parceira nas obras em 4 mãos Solange Kiliber Barbosa. Um grande beijo à vocês, espero em breve nos reunirmos para tocarmos juntos.

Por fim, não poderia deixar de agradecer ao meu pai, meu amigo, meu companheiro e confidente de todos os momentos pelas horas sentado escutando os meus treinos de piano de 3, 4, 5 até 8, 10 horas nas semanas que antecediam as audições e apresentações, e pelos seus comentários sempre construtivos, com relação à exatidão do tempo, à interpretação, e, mesmo calado, concentrado em tudo que eu estava tocando. Sempre com palavras de estímulo, carinho e sugestões construtivas. Eu e meu pai de pijamas, após o jantar, lá pelas 21 hs, passando a novela Rei do Gado na Tv globo e meu pai ao meu lado no piano contando o tempo para mim.São experiências, provas de dedicação e de amor a quem eternamente serei grato.

Segundo palavras do grande maestro e pianista brasileiro João Carlos Martins “A música venceu”.

Obrigado e um beijo afetuoso de seu filho que sempre o admirou muito.

Um beijo meu pai.

Para sempre,

(Mathias Yoneda Naganuma)

 

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