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MOTOCICLETAS NO NORTE E NORDESTE

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Um crescimento silencioso e perigoso acontece no norte e nordeste do país que é a proliferação das motocicletas. Isso incluem as motonetas, bicicletas motorizadas entre outros, inclusive as adaptações grosseiras. Silencioso e perigoso porque a grande maioria dos usuários desse tipo de modal não são habilitados colocando em risco outros modais e pedestres.

Esse fenômeno não acontece só nas regiões citadas. Acontece na maioria dos estados brasileiros com exceção das regiões Sul e Sudeste. A região Sudeste que em 2007 detinha 43% do mercado, hoje está com 33% e a região Sul que em 2005 detinha 21% do mercado, hoje está com 12%. Dados que se assemelham hoje ao Centro Oeste.

Em compensação, no  norte nordeste a situação é completamente inversa. Dados compilados em 1998 sugerem que existiam aproximadamente 500.000 motocicletas em circulação. Em 2014 foi detectado aproximadamente 4.500.000 motos em circulação o que significa um crescimento de 800% na frota desse tipo de veículo sendo que no país o aumento ultrapassou os 500%.

O transporte originalmente efetuado por burros cavalos ou jegues está sendo substituído pelas motos e em muitos lugares esses animais estão sendo simplesmente abandonados à própria sorte tornando-se um problema para o poder público.

Existe um lado positivo nisso tudo que é deixar de usar a tração animal, pois muitos não dão tratamento adequado aos que tanto nos ajudam nas tarefas do dia a dia. Algumas regiões estão aprovando leis que determinam a proibição do uso do animal para o trabalho pesado e inclusive para a recreação. As ditas cavalgadas que, sendo tradição ou não, na minha modesta opinião não tem sentido justamente por submeter o animal a muitas horas de caminhada sem o devido cuidado, como alimentar e matar a sede sob sol escaldante como vimos recentemente a morte, por exaustão, de um desses cavalos em plena cavalgada.

Muitos usam o termo “avalanche” que, diante das estatísticas do final de 2009, não é nenhum exagero. Em dezembro de 2009, segundo estatísticas, houve uma inversão histórica no mercado de veículos automotores de duas rodas no País. Os números oficiais da Fenabrave apontam que pela primeira vez o nordeste assumiu a liderança de venda de motos com 33,3% contra 32,58% do sudeste. Não sei ao certo se podemos dizer que houve uma inversão ou uma distorção por causa da diferença populacional. O sudeste tem aproximadamente 27 milhões de pessoas a mais do que o nordeste e em termos de poder econômico o PIB per capita nordestino é aproximadamente três vezes menor.

As estatísticas foram feitas em 2009 e é evidente que esse “pulo” não aconteceu exatamente nesse ano. Desde meados dos anos 90, o noerte/nordeste vem crescendo gradualmente até por causa da instalação de grandes indústrias, inclusive automotivas, atraídas pelos benefícios fiscais concedidos por alguns municípios.

Como consequência, o aumento de consumo está relacionado ao aumento de renda proporcionado pela oferta de emprego gerado pelas empresas que lá se instalaram visando a mão de obra mais barata aliado ao benefício fiscal.

Comparando o cenário do ano de 2000 com o de 2010, a região foi a única que ampliou seu percentual de consumo de moto no país. Passou de 28% para 36% enquanto que o sudeste passou de 43% para 33% e o sul de 21% para 12%, semelhante aos percentuais do centro oeste.

As classes C e D passaram a organizar melhor seu orçamento familiar e assim conseguiram acesso ao crédito, que é o componente fundamental para entender o aumento desenfreado das motos na região norte/nordeste. Componente fundamental, porque 50% das motocicletas vendidas no país são financiadas e 29% através de consórcio.

Aqui entra um dado importante para entendermos um pouco mais sobre o transporte coletivo que está com a qualidade ruim a cada dia nas regiões citadas. As motos encaixam exatamente nas lacunas deixadas pelo precário sistema de transporte público coletivo que é utilizada, na sua grande maioria, por essa fatia da sociedade.

A solução econômica pessoal que a maioria do nortista/nordestino encontrou na facilidade de aquisição das motos, acabou se tornando um grave problema para a saúde pública e Previdência Social. (dados- Diário de Pernambuco)

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